Os Humanos do Orkut

Uma análise antropológica dos seres que habitam o orkut!

O "orkut" dos animais

Written by Ombudsman on 2:34 PM

Revista Época:

O que explica o enorme sucesso dos sites de relacionamento exclusivos para cães, gatos, aves e répteis. E o que isso revela sobre seus donos
Thaís Ferreira
Caio Guatelli
AMIGO FIEL
Pako e seu dono, Roberto Fornasaro, o criador da rede de mascotes PlugPet. O site diz que Pako é alegre e brincalhão

Depois que entrou em um site de relacionamento, Pako ganhou vários amigos. Como em qualquer site desse tipo, a página de Pako traz fotos e a descrição de suas características. De acordo com seu perfil, Pako é “brincalhão, amigo, alegre e tem bom porte físico”. Ali também está escrito que ele gosta de passear de carro e ir à pracinha, e que sua brincadeira preferida é “deitar no sofá”. Através do site, Pako recebe e envia recados, nos quais se despede com “patabraços” e “lambeijocas”, quando se comunica com seus “amicães”. É natural: Pako é um cão de 2 anos da raça golden retriever. Sua página fica em uma rede social para animais de estimação, a PlugPet, criada por seu dono, Roberto Fornasaro.

Assim como Pako, milhares de totós e bichanos têm perfis na web. A primeira rede social de animais foi a Dogster, criada nos Estados Unidos, em 2004. Mas, como a Dogster era restrita ao público canino, logo surgiu uma versão felina, a Catster. A novidade fez sucesso. Em 2005, a Dogster ganhou o Webby, o principal prêmio americano de sites de conteúdo, na categoria de melhor site de comunidade.

No Brasil, a primeira rede animal foi a Petkurt. Criada em 2006, conta hoje com 200 mil “membros”. Outras duas redes vieram em seguida, a PlugPet e a Orkupet. Esta última tem nove meses e 50 mil “usuários” cadastrados. Não são apenas cães e gatos. Há papagaios, hamsters, cavalos, cobras e lagartos. As páginas dos bichos têm suas fotos e detalhes pessoais, para sabermos se eles gostam de crianças ou se são antissociais, o que gostam de comer e qual brincadeira preferem. Como em qualquer rede, há comunidades com animais que têm os mesmos gostos e afinidades. Exemplos são “Adoro dormir na cama do meu dono”, “Fico de pé na pata traseira” ou “Fico triste sozinho”.

Muitos donos acham que seus animais pensam. Nessas redes,
há espaço para expressar essa fantasia

O que há de divertido em criar um site pessoal de seu animal de estimação? Afinal, até prova em contrário, os únicos seres racionais com capacidade cognitiva para visitar um site somos nós, o Homo sapiens. Para os donos das mascotes, a diversão é incorporar o espírito dos bichos, escrevendo como se fossem eles. Assim, a dona de um pequinês não avisa as amigas que vai viajar para a praia. Quem dá o recado é a Fifi: “Minha mamãe vai viajar semana que vem e vai me levar. Ela não entrará na internet nos próximos dias”.

As redes sociais animais servem para conectar pessoas. Elas proporcionam s uma série de serviços aos donos de animais. A PlugPet tem um canal para tirar dúvidas, respondidas por um veterinário e um adestrador. Há também um mural para achar bichos para compra e adoção. No caso da procura de animais para procriação, a vantagem é poder escolher o “namorado” ou a “namorada” olhando as características em seu perfil.

O web designer Alexandre Domingues diz que criou o Petkurt para obter informações sobre as calopsitas, os passarinhos da Austrália que viraram mania entre os colecionadores. Quando comprou sua calopsita, Domingues não sabia como criá-la. “O site preencheu um vazio que sentia como dono de um bicho”, diz. “No Orkut há muitas comunidades de animais, mas quem busca uma informação precisa não acha. Com o Petkurt, conheci criadores de aves e achei as informações que buscava. Hoje, recebo dúvidas dos usuários e posso respondê-las.” Da experiência com as calopsitas, foi um passo para o web designer criar uma rede social animal como as americanas.

Fornasaro diz que o sucesso da PlugPet se deve à necessidade dos donos de se relacionar e fazer amizades. “É mais fácil fazer amizade por intermédio do bicho de estimação. Meu cão é mais popular que eu”, diz. “Sou tímido. É raro escrever para um amigo ‘eu te amo, é muito bom ter sua amizade’. Já no perfil dos meus cachorros, isso é normal.”


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Genealogia - a busca das origens através do Orkut

Written by Ramssés Silva on 9:40 PM


Genealogia. Palavra de origem grega, cujo significado literal é GENEA = geração / LOGIA = discurso ou estudo. Ou seja, para os leigos é mero conhecimento ou fruto de curiosidade, enquanto que para os iniciados é a ciência ou ramo da história que estuda a origem e evolução das famílias, descrevendo de forma sistemática as cadeias de gerações, caracterizando sempre que possível a biografia dos seus membros ou fatos curiosos e marcantes que fazem parte desta evolução familiar.

No passado a Genealogia servia tanto para comprovar uma provável origem divina da estirpe, quanto para facilitar a entrada de membros das famílias em ordens religiosas, militares, na magistratura e em cargos políticos. Atualmente, é importante para revelar laços de parentescos, reconstruir o processo de formação sócio-histórica de determinada região, ou mesmo comprovar a hereditariedade de determinadas características ou moléstias.

Esta ciência surgiu tendo como base exclusiva a tradição oral. Osvald Barron, inglês, jornalista e estudioso em heráldica, chegou a afirmar que somente à partir do séc. XVI é que a genealogia passou a ser objeto de estudo sistemático por famílias isoladas. Em Portugal surgiu por volta de 1400, enquanto que no Brasil, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro vem publicando sua revista desde 1839.

E, no maior site mundial de relacionamentos não poderia ser diferente. A busca pelas origens no Orkut torna-se um comportamento tentador e quase que inevitável, sem mencionar o encontro virtual com parentes que estão distantes, que há muito não se tem contato ou mesmo desconhecidos. Neste sentido, algumas Comunidades merecem destaque pelo seu pioneirismo, conteúdo e organização. É o caso da Genealogia e, num exemplo melhor ainda, da Genealogia - busca certidões.

Esta última, mais organizada de todas, conta com mais de 16 mil membros, entre os quais estão muitos leigos e, principalmente, muitos experts no assunto.
Sob o comando de um Perfil fake de nome Dr. Romano Giovanni e inúmeros outros moderadores especialistas em heráldica, a Comunidade tem um sucesso invejável nos quesitos iniciação, informação e, ainda mais, na resolução de problemas. Basta uma dúvida lançada em algum tópico para a consequente avalanche de dicas de extrema utilidade, das quais o indagador pode
lançar mão para o início, retomada ou prosseguimento de suas pesquisas. Entre as ferramentas interessantes presentes na Comunidade estão a busca da origem de determinados sobrenomes, a busca de certidões de batismo e casamento em cartórios e paróquias, listas de nomes de imigrantes em navios chegados ao Brasil, a busca de ascendentes em bancos de dados de determinados sites e exposição de fotos antigas.

"Todos são bem-vindos! Desde os aficionados por genealogia até aqueles que procuram a bendita 'certidão' do avô ou bisavô para obter o reconhecimento da nacionalidade (a famosa 'dupla-cidadania')", diz a descrição da Comunidade, que segue regras simples, rígidas, mas que servem muito bem para manter o clima de harmonia entre os membros ativos.

Mas nem tudo são flores. O próprio dono, em uma das regras, adverte para a presença indesejável de "a$$e$$ores e de$pachante$" dentre os membros, cujo único interesse é aproveitar-se da ingenuidade dos menos informados, oferecendo seus serviços para "facilitar" a pesquisa ou mesmo alguns oferecendo uma suposta árvore genealógica já pronta, como se fosse simples assim. A busca é, por si só, árdua. E por isso mesmo é que é tão gratificante quando se encontram informações interessantes e valiosas.

Lógico que a ajuda por parte de indivíduos especializados no assunto não deve ser descartada, mas os próprios iniciados incentivam o "curioso" a buscar as informações sozinho, de forma sistematizada, organizada, onde os frutos colhidos e o sabor da descoberta do "novo" serão os melhores possíveis.





Ibope passa a usar Orkut para entender consumidor brasileiro

Written by Ombudsman on 6:57 PM



Finalmente começam a entender o que o Orkut representa para a sociedade.

O Orkut representa uma cópia fiel da classe média do Brasil: gosto, interesse cultural, poder aquisitivo e principalmente a relação entre essas 3 variáveis.


Ibope

Fazendo uso disso, o Ibobe está a utilizar uma nova ferramenta que, com o uso de um bot (gíria para robôs virtuais que varrem sites a procura de informação), irá coletá informações a respeito dos usuários do Orkut e cruzá-las. Dentre estas informações, estarão desde comentários em posts nas comunidades, até o nome da própria comunidade.


Público alvo

Os usuários serão selecionados de acordo com a atividade em determinada comunidade. Exemplo: Quando o bot varrer a comunidade, o último usuário a postar algo nela será o escolhido. Tendo, assim, todas suas comunidades relacionadas umas com as outras. Com isso irá gerá uma informação que dificilmente encontraria em outro tipo de pesquisa.


O que será descoberto

A galinha dos ovos de ouro está basicamente na capacidade de cruzar dados coletados,
talvez de uma forma nunca antes feita com êxito. Poderá, por exemplo, deduzir após uma varredura que as pessoas que gostam de acessórios da marca Nike são as mesmas pessoas que escolheram veículos da marca Fiat. A partir daí poderão surgir as mais diversas descobertas, creio que muitas até bizarras.


Privacidade

Prometem não divulgar dados de cada usuário, mas sempre há o questionamento. Talvez no Brasil, ninguém ligue pra isso, mas em outros países a discussão seria bem acalorada.


Leia mais em: G1 - Tecnologia




Proposta

Este blog tem como objetivo expor e tentar analisar as relações sociais e a interferência cultural entre os seres que habitam o orkut.




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